6 de setembro de 2013
Tento não pensar nisso, mas é incrível como o pensamento me vem à mente nos momentos mais inoportunos. É como se tivesse feito uma casa na minha cabeça e fosse sua proprietária. Enquanto leio meu livro, ele está lá, me lembrando o quero esquecer: que fui rejeitada. Pode ser um procedimento de rotina, dispensar o paciente por 60 dias aguardando à psicoterapia fazer efeito mas eu não consigo pensar por esse lado. Sei que tivemos um incidente, o qual eu não gostaria de falar a respeito. Não gosto de saber que errei e que me senti constrangida por isso. Pelo menos, a forma como pedi desculpas foi sincera e muito verdadeira: “Sabe o que é? É que eu sempre arranjo a forma mais difícil e constrangedora para falar sobre alguma coisa”
Ele me dispensou. Pode ter sido pelo atraso que, foi involuntário, mas não posso me eximir da culpa. Se eu tivesse ligado para a rodoviária um dia antes, saberia que há 10 dias o ônibus já não passava mais por lá naquele horário e sim uma hora mais cedo ou quarenta e cinco minutos mais tarde. Não tenho como não assumir essa culpa.
Pode ter sido pelo fato de eu ser mais uma paciente da Unimed. Afinal, pra que ele iria perder 20 minutos do tempo dele com um paciente do convênio, pelo qual ele recebe R$ 50,00 ao invés de R$ 150,00 de um particular?
Pode ter sido pelo incidente. Confesso que passei dos limites. Confesso que fui longe demais e que, infelizmente, as coisas não acontecem como no meu mundo da imaginação.
Pode ser porque ele acha que eu sou mais uma pessoa que só quer atenção. Ou chamar atenção. Não tem nada clinicamente tratável. Não tem. Só vai lá porque gosta. E, se me permite, essa foi a senha: “existem poucas coisas nessa vida que eu gosto de fazer e, uma delas, é vir aqui”. E ele me tirou isso, afinal, psiquiatria não é prazer. É necessidade. E talvez eu não esteja precisando tanto assim.
A verdade é que eu me senti uma idiota. Abandonada. Rejeitada. Alguém que não faz a mínima questão de me ver em um período de quatro semanas. Alguém que eu superestimei, talvez, mas que não faz questão de fazer mais do que a sua obrigação.
O fato é que se sentir rejeitada é uma sensação que conheço tão bem que não entendo como isso me afeta tanto. Talvez porque eu pensei que em nome do compromisso profissional isso não aconteceria. Pensei estar segura na ética médica e na percepção que pensei que ele tivesse, diferenciada dos demais profissionais que me trataram. Mas não.
Sou permeada pela rejeição. Ou eu abandono ou sou abandonada. Isso deveria ser comum. Mas não consigo manter algo saudável. Seja porque seja... pela minha impulsividade, talvez? Sim, o incidente foi constrangedor, muito mais pela reação dele de não perder o controle daquela consulta do que pela minha impulsividade em, de uma forma inusitada, tentar explicar o que eu sentia.
Não paro de pensar nisso. Um minuto sequer. Sou mais infantil do que pensei ser. Mais frágil do que queria e muito mais dramática do que precisava.
Eu senti tanta vontade de sentir vontade nenhuma. De nada. De me destruir. De fazer aquilo que eu realmente acho que mereço. Isso me deixou tão triste e desolada que pela primeira vez não sei como lidar. Não quero lidar da maneira convencional. Desejei ter uma reação alérgica grave ao medicamento que ele receitou. Imaginei que aconteceria se eu tomasse todos de uma única vez. Isso seria patológico o suficiente para ele continuar me vendo a cada 30 dias? Borderline? Quer um diagnóstico? Posso te dar um. Um não. Vários. De uma única vez.
“Vai ver que ele fez isso para que você se sentisse assim mesmo.” Duvido. Ele não pensaria tão adiante. Tudo o que ele queria fazer era se livrar de mim. O constrangi. Como um taurino nato ele não aceita ser constrangido. Nenhum ser humano, independente do signo, aceita. Ele me tirou algo que eu tinha que era essa consulta de 20 minutos. Uma vez por mês. Andava 2h para uma consulta de 20 minutos. E isso não era suficiente para o ego dele?Na verdade, não. Ele não se importa com o que eu possa dar porque ele não quer nada de mim. Simples assim.
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